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18 OUT

08:00

Motivação e Práticas Cotidianas Equivocadas

Lince

Quem nunca se questionou sobre seus próprios motivos para fazer algo? Ou mesmo pensou em como ajudar um colega de trabalho a se motivar para superar um desafio ou um momento ruim? É difícil engajar alguém que não se empenha o suficiente para mudar seu panorama atual, principalmente se um gestor só conhece superficialmente os conceitos sobre motivação.

Para trabalhar com motivação devemos primeiro entender sobre o ser humano em aspectos coletivos e individuais. Há na cultura diversos fatores que promovem efeitos manada, ou seja, que faz com que diversas pessoas se comportem em massa por objetivos comuns, como status, poder, ascensão social e financeira, saúde e bem estar familiar. Porém, como cada pessoa interpreta essas aspectos em sua vida pessoal pode variar bastante.

Recentemente escrevi um texto sobre mudanças (http://locuspsi.com/discutindo-as-mudancas/) mostrando que mudar não é algo que simplesmente acontece de dentro para fora por simples vontade ou desejo, mas que envolve uma grande complexidade de fatores determinados pelo meio em que a pessoa vive, pela forma como aprendeu a pensar a vida toda e por questões de ordem fisiológica. A pirâmide de Maslow já demonstra isso muito bem. Apesar de definir uma ordem prévia e estática de prioridades, estas quando são dinâmicas fazem com que aceitemos até passar fome se for para proteger um ente querido ou mesmo para atingir um objetivo específico.

Em psicoterapia temos de lidar o tempo todo com as motivações.Traçar um perfil e estabelecer prioridades seriam erros graves. Não dá pra impor o que o outro quer ou deveria querer. Só é possível promover mudanças quando compreendemos o sujeito que se coloca à nossa frente como cheio de experiências diversas e conexões além da nossa imaginação.

Pode parecer algo simples, tudo isso, mas não é assim tão fácil de ser lembrado no dia a dia. Por vezes temos exemplos de práticas cotidianas que podem parecer atraentes, mas que escondem sua arbitrariedade. Vamos a dois exemplos.

O primeiro é da prática organizacional em que uma gerente, pensando no bem estar do grupo, criou um projeto cultural de clube do livro. O porém da história é que isso foi realizado de forma totalmente arbitrária e imposta. Mesmo não havendo oposição direta e até elogios pontuais, o mal estar corria entre os funcionários nos comentários, brincadeiras e irritações. Por mais tosco que pareça, esse tipo de prática tende a acontecer quando não há um conhecimento mais elaborado sobre o processo motivacional.

Um segundo exemplo é da clínica, quando um paciente querendo parar de fumar começou a boicotar o tratamento orientado pelo psicólogo e este foi se frustrando a ponto de perder o paciente. No caso, o terapeuta assumiu toda a responsabilidade do processo de mudança e passou a deixar de motivar para cobrar os resultados.

Entender como motivar é diferencial para orientar mudanças promovendo bem estar. E para entender melhor o que é motivação, no próximo texto abordarei os estágios motivacionais e a possibilidade de mudança.

Vitor Sandrini de Assis
CRP 16/2794

Psicólogo Clínico, Analista do Comportamento e especialista em Transtornos Mentais e Dependência Química. É um dos criadores do site Locus Psi (www.locuspsi.com), que contém textos e um podcast, o LocusPsiCast, de psicologia de forma acessível para leigos.

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